lacra.ia

O que as patas da lacra.ia estão dizendo

Lista dos últimos textos publicados na lacra.ia:

from Centelhas Literárias

Para quem não me conhece, sou autora de fantasia, estudante de letras, e obcecada por mais coisas do que sou capaz de enumerar aqui. Faz alguns anos que tenho vontade de alimentar um blog para compartilhar minhas impressões, anotações e reflexões envolvendo literatura — até tentei criar algo pelo WordPress uma infinidade de vezes, mas acontece que devo ser burra demais para usar ele direito. Assim, hoje revivo essa centelha em mim e espero poder causar alguns incêndios por aí. Tendo isso posto, o que são “Outras Formas de Leitura”, afinal? Quero deixar claro, de antemão, que não me proponho a criar rankings de leitores, metrificar a qualidade de obras literárias com estrelinhas brilhantes como faço com meus alunos, e muito menos estabelecer uma “forma correta” de se ler. Conforme Compagnon aborda em O Demônio da Teoria, o “bom leitor” verdadeiro é aquele que se adapta e entende as diferenças entre Édipo Rei e O Corcunda de Notredame consciente da forma e do seu conteúdo. Como autora, tendo a falar exaustivamente sobre nosso papel como autorias autônomas, perspectivas de escritura que possam libertar em vez de alienar. Esse blog nasce, também, da necessidade de me distanciar um pouco desse eu tão sujeito-autônomo-autor. Parafraseando Lispector, se pinto pintura e escrevo a dura escritura, por certo também tenho que ler a doce leitura.


Proposta

Minha ideia vai além de simples resenhas, que também estarão presentes, quero analisar criticamente algumas das obras que tenho lido (em sua maioria leituras obrigatórias da grade ou simplesmente “clássicos indispensáveis” a minha carreira). Assim, pretendo transcrever minhas anotações pessoais dessas obras e incluir uma resenha junto. Para além da análise entre forma e conteúdo, também frisar a minha interpretação e avaliação subjetiva da obra. É uma ruminação literária sem um fim muito específico, algo legal para entusiastas, leitores e pessoas da área. Na descrição inseri também o termo “filosófica” porque considero esse tipo de análise literária extremamente ligado a Filosofia, é uma verdadeira maiêutica quando nos sentamos para ler uma obra e a destrinchar de cabo a rabo. Não por acaso incontáveis autorias eram tão aficcionadas por Filosofia ao longo da história. Esse termo também delimita, para mim, o fato de que não sou crítica literária. Ser Crítico com letra maiúscula é um título que suspeito estar reservado aos doutores e doutoras em literatura. Como graduanda, dou-me a devida insignificância. Se muito, proponho-me a ser um dia, e esses ensaios analíticos acabam tomando a função de ladrilhar meu caminho. Decidi compartilhar essas minhas notas (que já se acumulam há alguns anos) porque noto dois movimentos. O primeiro, tão pontuado na Academia, é que o hábito de analisar literatura criticamente tem se perdido mais a cada ano. Quando digo isso, não levanto juízo de valor, não digo que é uma forma superior de análise nem mais válida, simplesmente é uma recepção de leitura cada vez mais rara. Eu, assim como meus professores, acredito que a humanidade e a Literatura perdem muito com isso, daí que comecei a ensaiar minhas próprias análises por mais simples e mundanas que possam ser. O segundo movimento, que é causado pelo primeiro, é que quando busco resenhas ou análises de obras literárias de meu interesse eu dificilmente acho alguém falando do livro como objeto retórico de análise. Vê-se análises sobre as decisões morais das personagens aos montes, opiniões inflamadas sobre a execução dessa ou daquela trama a torto, e até mesmo avaliação da execução dos tropos listados (que Zeus nos acuda) a direito. Novamente, não acho que esse tipo de análise seja inferior, mas não são, nem de longe, o que eu quero saber para decidir ler uma obra ou não. Filha do meu pai que sou, não vendo o que eu queria, vim cá e estou fazendo.

 
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from De tão poeta morreu pobre

“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 1]

Esse repente em decassílabo sempre me deixava ENCAFIFADO, porque sou nordestino e muita coisa cantada no poema eu não sabia. Aí, com medo de perder minha cidadania, fui pesquisar e vou trazer esse estudo dirigido para cá aos poucos, ilustrando as estrofes e os termos (que acho que são) mais complexos/regionais.

Obs.1 – Algumas coisas são obvias e eu vou ilustrar mesmo assim e outras vão passar, mas se ficar alguma dúvida pode me perguntar, se quiser. Obs. 2 – Não precisa ser nordestino pra valorizar o Nordeste, é só liberdade poética para compor o mote, como haverá outras liberdades ao longo do repente.

ESTROFE 01

Tem de ser de origem nordestina Pra beber água fria de cabaça Calcular a distância de uma braça Entrançar uma cerca de faxina Atirar de espingarda lazarina Palitar com espinho de facheiro Com a faca rapar o juazeiro Fazer pasta pra o dente embranquecer Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro

ANÁLISE:

Cabaça é o fruto de algumas espécies da família das cucurbitáceas (mesma das abóboras, pepinos, melões, melancias, buchas vegetais...), eu acredito que principalmente da Lagenaria siceraria (conhecida por Porongo ou cabaceira) que é a mesma que se faz a cuia de chimarrão. Depois de desidratado e limpo vira tipo um copo Stanley do sertão, a proteção do sol deixa a água sensivelmente mais fria, talvez.

Braça é uma antiga medida do sistema imperial (eca) que equivale a 2,20m. Até onde sei, é uma métrica que se popularizou no meio rural ser utilizada na metragem da terra cedida aos trabalhadores imigrantes.

• A cerca de faxina é construída de varas finas de madeira seca (inclusive é daí que vem o nome, porque faxina também denomina esses gravetos usados geralmente como lenha) entrelaçadas vertical ou horizontalmente, podendo ser construída sem arames, muito usada para cercar terrenos ou conter animais.

Foto colorida de um terreno de chão de terra batida delimitado por uma cerca de faxina construída com varas de madeira lado a lado. Além da cerca vê-se a paisagem natural, com árvores, montanhas e nuvens

• A espingarda lazarina é uma arma de baixo calibre originalmente fabricada por Lazarino Cominazzo, utilizada antigamente para a caça de subsistência de animais de pequeno porte.

Facheiro ou mandacaru-de-facho (Pilosocereus pachycladus) é uma cactácea endêmica do nordeste, utilizada às vezes para alimentação animal (após retirados os espinhos, que são grandes e numerosos). Ouvi dizer que o nome facheiro é porque os espinhos secos são “inflamáveis”, inclusive os braços secos do cacto eram usados como tochas, tochas essas chamadas de FACHOS, o que também teria originado a expressão Abaixe o facho usada para mandar alguém sossegar ou chamar menos atenção, tal qual quando se “remove a tocha do campo de visão do imimigo”.

Foto colorida de um facheiro, planta cactácea espinhosa ramificada em vários "braços", pegando fogo num ambiente escuro. Não repita isso em casa.

Ziziphus joazeiro é uma árvore de grande porte que produz frutinhos comestíveis (os bodes adoram) e que tem uma casca rica em saponinas, que fazem espuma e tem propriedades de detergentes, por isso a raspa da casca de juá é usada como pasta de dente e em outros produtos cosméticos e medicinais até hoje.

Esse foi o começo do que espero que seja uma série, até a próxima estrofe!

 
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from fidarossa

Hoje tava papeando como um amigo sobre #autofesadigital, aí lembrei do site autodefesa.org, cujo lema é “A segurança digital é o oposto da paranoia”.

O site tem guias curtos e longos, para pessoas leigas e experientes, tanto pra #autodefesa pessoal quanto coletiva. Também tem conteúdo específico pra pessoa #feminista e praticantes doutras formas de #ativismo político.

Recomendo!

 
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from capií-guara

APRESENTA

Olá! sou Indígena Guaianá, sobrevivendo em Curitiba. Apreciadora de Haicais e outros quetais.

...../ Sobre Haicai

O #haicai é um poema de origem japonesa. Tem como seu maior representante Matsuo Basho. Aqui no Paraná, Helena Kolody fez história ao ser a primeira mulher no Brasil a publicar um livro com #haicais (1941). Nas mãos de Alice Ruiz, Paulo Leminski, Marilia Kubota e Álvaro Posselt o haicai ficou mais conhecido ainda.

O haicai tradicional tem 3 características básicas: 17 sílabas poéticas (5,7,5); palavra ou expressão que indique a estação , o kigo (ex: calor, verão, frio, inverno; folhas amarelas, outono; flores, primavera); dividido em duas partes ( essa característica deixa o poema mais sugestivo – o #haicai não é um poema que explica). Sua essência é registrar o instante de forma objetiva e simples.

Além do tradicional, o #haicai tem sua versão livre ( usa rima, sem kigo e sem métrica); guilhermino ( com métrica, título e rima do primeiro com o terceiro verso, e da segunda coma sétima sílaba no segundo verso); de humor ou senryu.

 
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from de fogo

Viajar no tempo

O sistema #WriteFreely é o coração da lacra.ia e oferece de base suporte ao protocolo #Gopher.

Pra quem nasceu nesse século e não conhece: o sistema Gopher foi criado em 1991 e foi bastante popular antes da web dominar e virar aquela coisa capitalista triste cheia de propaganda piscando por todo lado.

Gopher providenciava um simples sistema de menus para ver textos ou baixar arquivos. Por ser super básico podia e pode rodar até em máquinas muito antigas.

O seus textos na lacra.ia estão disponíveis via gopher://lacra.ia.br e sim alguém com um computador dos anos 80 conectado a internet vai poder ler eles.

Vou regularmente editar esse post para adicionar imagens de capturas de tela ou fotos dessa mesma página em sistemas retrô.

Agora funciona mesmo (17 de janeiro)

Pouco depois de postar isso descobri que o WriteFreely publicava sua versão Gopher em UTF-8. Isso é ótimo para quem quiser escrever em idiomas asiáticos ou qualquer outra lingua que não seja da Europa do oeste. Porém quebrou meu sonho de poder ver esses textos com acentos em computadores antigos dos anos 80 e 90 que ainda não usavam esse padrão.

Atualizei o meu code nesse projeto que agora além de fornecer uma versão Gemini, também publica uma versão Gopher em ISO-8859-1 e outra em ASCII puro.

Agora não uso mais o servidor Gopher integrado do WriteFreely mas providencio três versões com encoding UTF-8, ISO-8859-1 e ASCII puro (sem acentos mas transliterado limpinho) rodando num servidor dedicado : geomyidae

Gopher ISO-8859-1, na porta 70:
gopher://lacra.ia.br:70/

Gopher UTF8, na porta 7777
gopher://lacra.ia.br:7777/

Gopher ASCII puro, na porta 7070
gopher://lacra.ia.br:7070/

Fotos e capturas de telas em computadores antigos

Gopherized é um app escrito em AMOS para Amiga, mostrando acentos funcionando (o Amiga usa uma variante do ISO-8859-1).

Gopherized Amiga visitando a lacraia

Gopherus é um programa DOS. Visto aqui usando CodePage437 (sem suporte a acentos). Obrigado Willard pela imagem num verdadeiro Tandy SX1000 de 1986 !

Gopherus no DOS num Tandy 1000sx visitando a lacraia

browse é um programa para RiscOS, funcionando aqui corretamente com acentos. Obrigado Willard pela imagem num Raspberry Pi 2 !

browse num raspberry 2 visitando a lacraia

TurboGopher para Mac Classic mostrando acentos funcionando (após ativar a opção ISO-8859-1 no cliente)

TurboGopher num iBook G3 visitando a lacraia

Netscape no Irix ainda suportava Gopher. Obrigado flexion pela captura de tela no Irix 6.5.22 numa SGI (Sillicon Graphics) Indigo 2 Impact R10k de 1996, com acentos funcionando.

Netscape numa estação Indigo SGI visitando a lacraia

OmniWeb 2.5 rodando no NeXTSTEP 3.3 ainda suportava Gopher. Captura realizada num NeXTCube de 1990 emulado pelo Previous.

OmniWeb 2.5 num NeXTCube visitando a lacraia

 
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from fidarossa

Aí me ocorreu essa #poesia [#recorte da #letra da #música Silenciador, cantada por Pato Fu]

Mais um milagre na capela Da fé brotou o empreendedor Deus fala pelo cano de meu revólver E a bíblia é o meu silenciador

Tá tudo bem, tá tudo lindo Seguindo na paz do senhor Domingo é dia de treinar minha pontaria Minha visão noturna e meu santo protetor

Nova temporada de caça Na pele é que está o valor Quanto mais escura é mais bala no tiroteio Mais ponto pro atirador

[...]

Menos um dilema no tеmplo Na graça de um ser superior Só еle consegue que o diabo não me carregue É só desistir do meu amor

Só ele chega em minha cela Só ele consola essa dor Deus fala pelo cano de meu revólver E a bíblia é o meu silenciador

[...]

 
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from de fogo

Nas opções de personalização (customize em inglês) você pode editar o código CSS.

Por exemplo o código seguinte é usado nessa conta para obter um título laranja e deixar a data mais discreta e com uma margem superior maior.

Não vou dar aula de CSS aqui. Peçam ajuda para as outras patinhas da lacra.ia que são de #blambers !


time a {margin-bottom:3em; font-size:0.5em;}

#blog-title a {
    color: #A08;
}

 
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from de fogo

Por enquanto a lacra.ia não tem um lugar dedicado para hospedar imagens.

O jeito mais simples é usar o código Markdown seguinte para incluir uma imagem de outro lugar , por exemplo de um post público no Mastodon.

Imagem da cabeça de um gato amarelo visto de perto

Código da imagem acima:


![Imagem da cabeça de um gato amarelo visto de perto](https://contra.rio.br/fileserver/01DPPRZJ8BWZMM8FZ2Q5YWSH1E/attachment/original/01KE7TKF826AH9KS2YRMMVD3EH.jpeg)

 
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from muita pata

Alguns meses atrás me encontrei em posição de fazer uma coisa que mal tinha feito antes: investimentos. A culpa inspirou essa canção —por enquanto sem música.

Apertos !

No topo da escala, da saia injusta Eu só tenho um corpo e por algum motivo dois elevadores

Mas eu sei dividir: um deles é todo seu Subimos paralelos, eu lá da cobertura e você lá do térreo… …de oportunidades

Tenho vista pro mar Um céu azul pra você… …limpar Já é tarde, carinho Você mora tão longe lá nos meus fundos… …imobiliários

Ô meu amor trabalhador Sinto um aperto no meu coração Quando você expande meu capital meu capital

A minha liquidez é seu corpo Eu ganhei, eu mereço ! Pois eu sei tomar risco de afogar… você nos meus fluxos de caixa

A planilha decide Exportei seu jantar pra quem sabe pagar, em dólar O vazio da fome aqui pouco importa

Sei que na sua bolsa, de valor não tem nada Na minha tem você, um milhão de você Suas mãos e seu tempo são tudo pra mim

Ô meu amor trabalhador Sinto um aperto no meu coração Quando você expande meu capital meu capital

Pras estrelas confesso, sem você nem existo Só nunca pode lembrar o que jamais valia… …mais valia ?

Ahh, esquece, meu anjo ! Vamos focar no básico: Você tem dívida… eu juro !

Nossos laços são eternos como sua alienação Matrimônio compulsório Tu de azul, eu de terno

Ô meu amor trabalhador Sinto um aperto no meu coração Quando você expande meu capital meu capital

Aceita meu poder, meu bem Em troca, direi que você têm… …potencial

Dividendo vem dando Perdoa se não goza, é da minha natureza Eu sou investidor Eu só invisto em dor

O meu crime dá lucro O seu tem pré-juízo

Um ser com valor de troca O Livre Mercado te entrega Você vai preso gritando, eu sou trabalhador !

Ô meu amor trabalhador Será que nossa história vale a pena …capital ? …capital


Texto: Santiago Lema

 
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